quinta-feira, 31 de maio de 2012

distração


Penso que essa distração é coincidente, algo a ver com o acaso. Ando com uma confusão mental bastante bonita, que tem me causado uma desarmonia entre meus olhos, agora reparadores dos tons de azul no céu, e meus pés, que enquanto isso tropeçam despercebidamente. Mas a desarmonia maior está num certo músculo que pulsa involuntariamente: ele sabe demais. Sabe que essa desarmonia entre a cabeça e os pés não tem nada a ver com o acaso. Não diretamente. Tem a ver com alguém que conheci por acaso e que se apossou inesperada e repentinamente, não só de cabeça e coração, mas de cada centimetro, cada poro do meu corpo e cada espaço da minha mente.

 [abril 2011]...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

late night... woman?


Well i know the late night woman
And i know she doesn't give a damn about anything
The kind of girl who doesn't return her calls
The kind that doesn't know where she's been


Oh but the late night is only late when she wants to be
Cause you know she doesn't mess with fools
Man, i can tell that you are wrong
If you think she cares for rules


Babe, the late night woman, in the late night city
That kind you're not surprised to be seen with a gun
After all you're alone in this cracked trashy pub
And late night girls knows you deserve some fun


(T.M.)

Meu melhor papel principal. Só não sei se "woman" é justo praqueles tempos.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

meu coração e eu

Eu costumava andar por aí, meio resignada, com meu coração meio frio, ou talvez não tão bem disposto quanto muitos gostariam. mas entre uns e outros, bares e pessoas, passamos a cumplicidade, meu coração e eu; a gente gostava o status de quase inatingível. é claro que tiveram muitos esbarrões, alguns superficiais, outros profundos, mas nada de irremediável. agora a gente cansou de brincar e brigar - eu deixaria de tentar forçá-lo a se interessar de novo pelas pessoas e ele tentaria ser menos idiota. e agora eu continuo andando por aí entre bares, mas não mais entre pessoas. a gente descobriu que alguém fez um túnel ou pulou os muros, mas de alguma maneira o fato é que tínhamos sido burlados. só que não; tínhamos nos deixado burlar. então combinamos, meu coração e eu, ser cúmplices em outra coisa: eu não contava pra ninguém o segredo dele e ele não contava o meu. não era pra ninguém saber que alguém nos tinha invadido sem uma briga que o valesse. mas meus olhos me traíam, como sempre... no próximo acordo eles terão que ser parte.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Será o calor?

Eu me deitava na areia sob o Sol, e o calor não me deixava pensar. Confesso que eu mesma não queria muito, por isso não era um sacrifício deixar a mente vazia. Então, de repente, interrompendo minha gloriosa lacunez de pensamentos, ela aparecia. Aquela que eu não vira nos últimos dias antes de ir parar ali, naqueles milhares de quilômetros distantes. Ela, que, confesso, não esperava (queria, na verdade), ver por ali. A mesma pessoa que me havia mostrado todo um universo diferente em tão pouco tempo. Ela vinha sorrateira em memórias de um tempo atrás, em outro lugar, onde tudo aconteceu além do inesperado; rapidamente passava de memórias a pensamentos que refletiam vontades, e rapidamente lá estava ele novamente, o calor me consumindo, fazendo com que aquelas imagens evanescessem de repente. Às vezes alguém me perguntava, aparentemente muito distante, do que é que eu estava rindo, e eu respondia qualquer coisa sem muito sentido, me dando conta de que havia mesmo um sorriso ladrão estampando meu rosto. Os dias se passavam assim, quase que ligeiros, com a ajuda do calor para que os pensamentos dinfundidos em lembranças não me consumissem demais. Mas as noites... Elas nunca teriam acabado sem algumas garrafas de vodka que me anestesiassem o cérebro, a mente, tudo...
(Jan./11)