Pegamos uma velha estrada, longa e sinuosa, com destino a algum
lugar no mato. Era de verde e ar que a gente corria atrás; era a fuga de todo
aquele cinza e aquela fumaça cotidianos mais rápida e eficaz que pudemos pensar.
Fazia um tempo quente e nossos corpos por si só já tinham uma temperatura muito
alta - só por algum milagre ainda não havíamos entrado em combustão espontânea juntos.
E lá, no nosso destino, fosse ele qual fosse, fazia frio.
Tínhamos álcool e THC aos
montes, de modo que a próxima coisa de que me lembro era de estarmos em um colchão
jogado no chão, no qual mal era possível dizer o que pertencia a quem, entre
pernas e braços e cabelos e barba e beijos e abraços, tudo num amontoado indistinguível.
Tínhamos os rostos colados um ao outro e tudo o que eu podia ver eram seus
olhos, muito pretos, encarando os meus tão de perto que eu arriscaria dizer que
viam minha alma. Afinal eles são como janelas, certo? Ele me deixava alta de
todas as formas e esses eram os melhores picos de êxtase que eu experimentara
nos últimos tempos. Era melhor que qualquer droga que eu já tivesse usado, e
viciava igual. Me parecia perigoso. Mas eu sempre gostei de adrenalina.
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