O caos nos rodeava naquela mesma e velha cidade
de sempre. Chegavam os tempos em que o ócio não trazia mais culpa, e todos
procuravam algum jeito de fugir dali. As emoções não davam espaço pra qualquer
tipo ou resquício de razão; as pessoas a minha volta pareciam agir tão
passionalmente quanto eu – ou talvez eu estivesse agindo mais assim, como elas.
Sem questionamento, isso já não me interessava mais, éramos todos frutos do
mesmo meio, todos paridos pela mesma mãe Loucura, e pouco ou nada importava
quem levara quem aonde. Chegamos a um ponto em que a própria razão, ou
racionalidade, cedera seu lugar à paixão, cansada de tentar se expressar sem
qualquer êxito, abs-traindo-se da responsabilidade de ser parte da grande e
conflitante dualidade humana, conhecida causadora de culpa e dor. As pessoas,
agora, fugiam para lados diversos, mas nem sempre opostos, como pombas no meio
da rua. Todos viam esse novo ciclo como uma nova possibilidade – um desejo
coletivo de se despir, se abandonar, sair de nós mesmos, e vestir qualquer
outra coisa que significasse alguma coisa – qualquer coisa. Livrar-se dos
velhos carmas, mas a verdade é que todos sabiam que aquele caos nos pertencia,
e essas fugas só podiam durar alguns dias, até que ele se manifestasse de novo,
esfregando em nossas caras o quanto era inútil fugir, e nos levando a fugir
mais uma vez.
(Mariana P.)
(Mariana P.)
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